23 / 10 / 2020 - 07h00
No melhor cenário, demanda por vacina será suprida em 2022, prevê consórcio

Não haverá vacinas contra a covid-19 para todos até o final de 2022 e o mercado mundial viverá um momento de escassez e limitações nos próximos meses. De acordo com documentos que fazem parte do consórcio internacional de vacinas, o Covax, a capacidade produtiva de empresas apenas chegaria a um ponto adequado em dois anos.

"Vacinas, nos anos iniciais, não serão suficientes para eliminar o vírus", diz o relatório. E isso na condição de que todas as candidatas atuais a imunização sejam aprovadas.

A avaliação — obtida pela coluna e assinada pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em nome do Covax — indica que "a produção planejada em 2020-2021 será apertada em comparação à demanda", e ainda que "a alocação cuidadosa de doses será fundamental para maximizar o impacto (prontidão do país, base para alocação, etc.)".

Um cenário mencionado nos documentos se refere à possibilidade de que uma ou mais vacinas não sejam capazes de, em apenas duas doses, gerar a imunidade suficiente na população.

"A curta duração e a modesta eficácia podem implicar a necessidade de uma vacinação de reforço ou de uma vacinação anual. Isso terá um impacto marcante na suficiência do fornecimento", alertou o consórcio.

Para permitir que haja um entendimento sobre o destino dos primeiros lotes das vacinas, a sugestão é de que 110 milhões de doses sejam garantidas para os profissionais de saúde entre o final de 2020 e 2021. Depois deles, viriam os idosos, o que levaria o número de doses exigidas para cerca de 5,8 bilhões.

"Isso implica que a Covax e as vacinas nos anos iniciais não serão suficientes para eliminar o vírus", afirma o documento.

Ao final de 2022, as entidades do consórcio estimam que o mundo vai precisar de 15,8 bilhões de doses, sendo que cada pessoa precisaria tomar duas doses do produto para garantir a imunidade em relação ao novo coronavírus. Naquele momento, a produção projetada será de 13,5 bilhões.

Em 2023, uma vez mais a expectativa é de uma demanda de 15,8 bilhões de doses. A produção, então, passaria a 14,1 bilhões. Sendo assim, a disparidade entre a demanda e a produção deve continuar pelo menos até 2026, segundo as projeções.

Outra constatação do levantamento realizado a partir dos dados de todas as empresas envolvidas nos testes de vacinas é de que o mundo caminha para uma enorme dependência do produto chinês, caso estes se mostrem eficazes.

Com base nas estimativas de expansão de produção, as entidades apontam que 49% da produção mundial das vacinas contra a covid-19 virão da China em 2023. Ou seja, 7 bilhões de doses. Brasil e Estados Unidos, juntos, produziriam cerca de 2 bilhões de doses.

No "time" chinês estão entidades como Beijing Institute of Biological Products Beijing, SinoCellTech e a Sinovac.

Apesar das dificuldades, aponta-se que o avanço da produção e da ciência são inéditos e que há motivo de "otimismo".

Para as entidades, a "busca rápida sem precedentes pelo desenvolvimento e escalonamento da produção de vacinas covid-19 reduziu o que normalmente levaria mais de 10 anos para potencialmente 1-3 anos".


FONTE : UOL