16 / 10 / 2020 - 15h00
Site: Lava Jato quis prender Lula durante coercitiva; petista vai ao STF

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou hoje com um novo recurso no STF (Supremo Tribunal Federal) para pedir acesso a mensagens trocadas entre procuradores da Lava Jato. O pedido foi realizado depois que jornalistas do The Intercept Brasil revelaram que a força-tarefa planejava prender Lula no mesmo dia da sua prisão coercitiva.

De acordo com os jornalistas, a prisão usaria como base a hipótese de que Lula teria se apropriado de patrimônio da União. "Em 2016, começou a circular uma foto do ex-presidente Itamar Franco num contexto distorcido. Atrás do Itamar, tinha um crucifixo que seria obra do [escultor barroco] Aleijadinho, e a suspeita dos investigadores era de que Lula tinha roubado o crucifixo durante o seu mandato. A expectativa era encontrar o objeto na casa de Lula e o prender por roubo. Movimentaram toda a máquina da Lava Jato, mas era uma trolagem da internet", explica um dos jornalistas em live divulgada ontem.

A estratégia da Lava Jato foi descoberta pelo The Intercept a partir de mensagens entre os procuradores da República, que integravam a força-tarefa de Curitiba. A defesa do ex-presidente Lula argumenta que o mesmo arquivo obtido pelos jornalistas está na posse do STF. "Isso significa dizer que relevante material que reforça a nulidade dos processos abertos contra o Paciente [Lula] e, ainda, sua inocência em relação às frívolas acusações apresentadas pela mesma força-tarefa está na posse do Estado, mas continua sendo sonegado à Defesa".

Os advogados ainda citam um "constrangimento ilegal" à negativa para que eles tenham acesso ao material de texto. Não é a primeira vez que a defesa de Lula entra com um pedido no STF para conseguir os arquivos — a última delas foi em julho deste ano. O novo pedido será analisado pelo ministro Edson Fachin.

Os advogados do petista apresentaram o pedido de habeas corpus em agosto do ano passado para que todos os processos contra ele no Paraná fossem suspensos e que ele fosse solto liminarmente por suspeição (suposta parcialidade) dos procuradores que atuaram no processo do tríplex do Guarujá. Lula foi solto em novembro após o STF decidir que um condenado só pode ser preso após o trânsito em julgado (o fim dos recursos).

Posteriormente, a defesa protocolou uma petição reiterando o pedido. A manifestação incluía reportagem publicada pelo UOL, mostrando que procuradores da força-tarefa da Lava Jato ironizaram a morte da ex-primeira dama Marisa Letícia, mulher de Lula, bem como o luto do ex-presidente pela morte de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá.

No fim de agosto, o ministro Edson Fachin, negou liminar na ação. Ele também negou o pedido de produção de provas. O petista havia pedido que o ministro Alexandre de Moraes fosse consultado sobre a possibilidade de compartilhamento das supostas mensagens trocadas entre os procuradores e outras autoridades, que dissessem respeito a Lula.