01 / 08 / 2020 - 15h06
Incêndios na Amazônia brasileira disparam em julho

O número de incêndios florestais na Amazônia brasileira no mês passado aumentou 28% em relação a julho de 2019, mostraram dados de satélite neste sábado (1º), aumentando os temores de que a maior floresta tropical do mundo seja novamente devastada por incêndios este ano.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) identificou 6.803 incêndios na região amazônica em julho de 2020, comparados a 5.318 no ano anterior.

O número é ainda mais preocupante, já que 2019 já foi um ano devastador em relação aos incêndios na Amazônia, provocando protestos globais.

Isso pressionou o Brasil, que detém cerca de 60% da Amazônia, a fazer mais para proteger a floresta densa, considerada vital para conter o impacto das mudanças climáticas.

Os incêndios são frequentemente utilizados ilegalmente para limpar terras para agricultura, pecuária e mineração.

Ativistas acusam o presidente Jair Bolsonaro de incentivar o desmatamento com pedidos para abrir a floresta tropical à agricultura e à indústria.

Somente em 30 de julho, os satélites detectaram 1.007 incêndios na Amazônia, informou o Inpe.

Esse é o número mais alto registrado no mês de julho desde 2005, disse o grupo ambiental Greenpeace.

"O fato de ter mais de mil focos de calor em um único dia, recorde dos últimos 15 anos para o mês de julho, mostra que a estratégia do governo de fazer operações midiáticas não é eficaz no chão da floresta", disse o porta-voz do Greenpeace, Romulo Batista, em nota.

Bolsonaro enviou o exército para combater os incêndios, mas os ativistas dizem que a medida nem de longe é suficiente para solucionar as causas do problema.

As chamas aumentaram 77% em terras indígenas e 50% em reservas naturais protegidas desde julho de 2019, disse o Greenpeace, indicando que as atividades ilegais estão cada vez mais invadindo essas áreas.

A temporada de incêndios na região ocorre tipicamente entre junho e outubro.

A situação este ano é agravada, segundo os especialistas, pela fumaça que causa um aumento nas emergências respiratórias em uma região já atingida com força pela covid-19.

O Brasil tem mais infecções e mortes pelo novos coronavírus do que qualquer outro país, exceto os Estados Unidos: mais de 2,6 milhões e 92 mil, respectivamente.

Os dados do Inpe já mostravam um mês de julho recorde para incêndios no Pantanal brasileiro, uma das maiores áreas úmidas tropicais do mundo.